Um levantamento realizado pelo Instituto Sou da Paz, intitulado "Onde mora a impunidade?", revelou que 61% dos homicídios ocorridos no Brasil em 2022 não foram solucionados. O índice, embora apresente uma leve melhora em relação ao ano anterior (65% em 2021), retrata a persistência da impunidade e os gargalos estruturais na investigação criminal no país.
O que é considerado um crime esclarecido
Para fins da pesquisa, os cientistas e pesquisadores adotam um critério objetivo para definir a elucidação do fato:
Critério Operacional: O homicídio é considerado esclarecido quando a Polícia Civil identifica o suspeito e o Ministério Público formaliza a denúncia à Justiça até o final do ano subsequente ao da ocorrência do crime.
Recorte Regional e Subnotificação
O relatório alerta que o índice de impunidade pode ser ainda maior, dado que apenas 60% dos homicídios de 2022 foram analisados, em virtude da ausência de envio de dados completos por nove estados brasileiros.
Menores Taxas de Esclarecimento: Bahia, Piauí, Rio de Janeiro e Pará.
Maiores Taxas de Esclarecimento: Distrito Federal, Goiás e Mato Grosso do Sul.
Propostas e Melhorias na Gestão de Segurança Pública
Especialistas e gestores apontam caminhos para reverter o cenário e fortalecer a resposta estatal:
Fortalecimento Institucional: Necessidade de direcionar investimentos e prioridade operacional para a Polícia Civil, órgãos periciais e para a integração com a Polícia Militar e o Ministério Público.
Sistema Unificado de Dados: Proposta para inclusão da taxa de esclarecimento de homicídios no Sistema Nacional de Estatística de Segurança Pública do Ministério da Justiça, alinhada aos debates da PEC da Segurança Pública.
O Contexto Jurídico: Investigação Penal e Devido Processo
Sob a perspectiva do Direito Processual Penal e Constitucional brasileiro:
Inquérito Policial e Ação Penal (Artigo 24 do CPP): A elucidação formal do crime depende do binômio investigação eficiente (coleta de autoria e materialidade) e oferecimento da denúncia pelo Ministério Público, titular da ação penal pública incondicionada.
Preservação da Prova e Cadeia de Custódia (Artigo 158-A do CPP): O fortalecimento das perícias criminais é elemento essencial para a produção de prova pericial robusta, reduzindo a dependência de provas testemunhais e elevando os índices de condenação fundamentada.


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