Um estudo realizado pelo Observatório da Violência Letal Intencional do Rio Grande do Norte (Óbvio) revelou uma realidade alarmante sobre a segurança pública no estado. Entre os anos de 2012 e 2017, 92% dos agentes de segurança mortos no RN foram assassinados fora do seu horário oficial de expediente.
O levantamento evidencia a vulnerabilidade contínua desses profissionais no cotidiano civil, mesmo quando não estão formalmente em serviço ativo.
Distribuição das Mortes por Corporação
No período analisado, o estado contabilizou um total de 65 agentes de segurança mortos:
Policiais Militares: 47 vítimas
Policiais Civis: 8 vítimas
Guardas Civis: 5 vítimas
Agentes Penitenciários: 5 vítimas
Circunstâncias das Ocorrências Fora do Expediente
Das 65 mortes violentas registradas, 60 ocorreram fora do período oficial de trabalho. Essas ocorrências dividem-se principalmente em dois cenários:
Reação a Ações Violentas (32 agentes): Ocorreram ao reagirem a crimes comuns, como assaltos, ao tentarem intervir em abordagens criminosas ou quando suas identidades funcionais foram descobertas por criminosos.
Atuação em Segurança Privada Informal (28 agentes): Mortes registradas enquanto os agentes exerciam atividades extras de vigilância ("bicos") para complementação de renda.
Em contrapartida, apenas 5 policiais morreram em serviço, decorrentes de confrontos diretos ou acidentes durante o cumprimento do expediente oficial na corporação.
O Contexto de Segurança Pública e Políticas de Proteção
Sob a perspectiva da gestão em segurança pública e do Direito Administrativo:
Complementação de Renda e Risco Adicional: A dependência da atividade de segurança privada informal amplia a exposição do agente a ambientes de alto risco sem o devido aparato operacional das corporações.
Medidas de Mitigação de Riscos: Os dados históricos fundamentam debates sobre valorização salarial, fortalecimento de inteligência para proteção de agentes, suporte psicológico e oferta de horários operacionais folgados (como diárias operacionais pagas pelo Estado) para substituir a atuação informal em vigilância privada.


Nenhum comentário:
Postar um comentário