Investigação desarticula quadrilha de estelionatários que se passava por defensores jurídicos para exigir falsas taxas de liberação de alvarás de clientes.
O avanço das fraudes por aplicativos de mensagens sofreu um duro revés estratégico no Rio Grande do Norte. A Polícia Civil deflagrou uma operação cirúrgica direcionada a desmantelar uma associação criminosa especializada no "Golpe do Falso Advogado". Agindo por meio de contas clonadas ou perfis falsos no WhatsApp, os criminosos monitoravam andamentos processuais públicos para enganar clientes de escritórios de advocacia renomados, exigindo depósitos via Pix sob o falso pretexto de custear taxas judiciais para liberação de valores retroativos e alvarás.
A ofensiva policial foi desencadeada após o registro de múltiplos boletins de ocorrência tanto por parte de vítimas lesadas financeiramente quanto por bancas de advocacia que tiveram suas identidades visuais e nomes profissionais usurpados pelas quadrilhas cibernéticas.
A Engenharia Social por Trás das Fraudes
Os relatórios táticos indicam que o bando operava com alto nível de organização e acesso a informações privilegiadas da internet:
Garimpagem de Dados: Os criminosos acessavam portais de transparência de tribunais de Justiça e selecionavam processos em fase de finalização ou com ordens de pagamento iminentes (como precatórios e ações trabalhistas).
Aproximação Camuflada: Com os nomes dos clientes e de seus respectivos advogados em mãos, os fraudadores criavam perfis com o logotipo do escritório e entravam em contato com as vítimas diretamente no celular.
O Falso Gatilho: Alegando que o juiz havia assinado o alvará de liberação do dinheiro, o falso advogado informava que era necessário pagar uma "taxa de emolumentos" ou "imposto de renda adiantado" para que o banco liberasse o montante, induzindo a vítima a realizar transferências imediatas para contas de laranjas.
Cumprimento de Mandados e Apreensões
Durante a operação, as equipes policiais cumpriram mandados de busca e apreensão e de prisão em bases operacionais utilizadas pelos criminosos. Foram recolhidos computadores modernos, dezenas de chips de operadoras de telefonia, cartões bancários e cadernos de anotações que continham roteiros de conversas utilizados para convencer as vítimas.
A Justiça determinou a quebra do sigilo bancário e o bloqueio das contas dos investigados para rastrear o destino final do dinheiro extorquido. Os integrantes da rede responderão pelos crimes de estelionato por meio eletrônico (fraude digital), associação criminosa e falsidade ideológica.
A operação contra o golpe do falso advogado expõe os perigos da exposição de dados públicos processuais na internet e a audácia dos estelionatários digitais. Ao invadir a relação sagrada de confiança entre advogado e cliente, os criminosos não roubam apenas dinheiro, mas também a esperança de quem esperou anos por uma decisão judicial. A resposta da polícia é indispensável, mas a principal vacina contra esse golpe é o desconfiar: nenhum tribunal ou advogado legítimo exige depósitos Pix imediatos em contas de terceiros para liberar alvarás.


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