Estudo técnico aponta os municípios do interior potiguar mais expostos à expansão de facções criminosas e roubos a bancos.
Um sinal de alerta máximo foi acendido para as forças de segurança que atuam fora da Região Metropolitana de Natal. Um levantamento técnico detalhado revelou que o Rio Grande do Norte possui 15 cidades do interior classificadas com alta vulnerabilidade à atuação do crime organizado. O diagnóstico expõe que o deficit estrutural e a posição geográfica estratégica de pequenos e médios municípios facilitam a interiorização de facções e o avanço do chamado "Novo Cangaço".
O mapeamento da vulnerabilidade criminal no interior leva em consideração critérios como o efetivo policial fixo, a proximidade com divisas interestaduais, o histórico de ataques a agências bancárias e a facilidade de rotas de fuga por rodovias estaduais e federais.
De acordo com o cruzamento de dados, as organizações criminosas têm aproveitado o isolamento de certas localidades para fixar bases logísticas de distribuição de entorpecentes e planejar ações violentas contra o patrimônio.
As Regiões Mais Expostas do Estado
A vulnerabilidade se distribui de forma preocupante por regiões específicas, com destaque para o Seridó, o Alto Oeste e o Vale do Açu.
Cidades de Fronteira e Divisas: Municípios localizados próximos às divisas com a Paraíba e o Ceará lideram os indicadores de risco. O fluxo facilitado de criminosos entre os estados dificulta a captura imediata pelas polícias locais.
Polos Logísticos do Interior: Cidades de médio porte, que servem como entroncamentos rodoviários (próximas a BRs como a 101, 304 e 405), tornaram-se alvos preferenciais. A infraestrutura de estradas, embora benéfica para a economia, é utilizada pelas facções para o rápido deslocamento de armas e drogas.
O Gargalo do Efetivo: O estudo reforça que o calcanhar de Alquiles dessas 15 cidades é o baixo número de policiais militares por habitante. Em muitas dessas localidades, o destacamento local conta com poucos homens por plantão, tornando a reação a ataques de grande porte extremamente complexa sem o acionamento de reforços de batalhões vizinhos.
A Estratégia de Enfrentamento das Forças de Segurança
Cientes desse diagnóstico de vulnerabilidade, as polícias Civil e Militar vêm tentando remodelar a atuação no interior do estado. A principal aposta da Secretaria de Segurança Pública (Sesed) tem sido o fortalecimento do policiamento especializado, com o emprego do BOPE, da Companhia de Operações em Foz do Iguaçu e Caatinga (como o GTO) e da Divisão de Investigação e Combate ao Crime Organizado (DEICOR).
Além disso, a integração de inteligência com os estados vizinhos é apontada por especialistas como a única barreira eficiente para frear a migração do crime interestadual para dentro do território potiguar.
O dado de que 15 municípios do interior estão altamente vulneráveis ao crime organizado joga luz sobre a urgência de uma descentralização real dos investimentos em segurança no Rio Grande do Norte. Garantir blindagem e recomposição de efetivos para os destacamentos do interior é o único caminho para evitar que as pacatas cidades potiguares virem reféns do medo.
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